BOTAFOGO SOMA SEIS JOGOS SEM PERDER E DA SINAIS DE REORGANIZAÇÃO EM CAMPO

Noite de Copa
Por Noite de Copa 2 Minutos de Leitura

A fase recente do Botafogo tem um roteiro curioso: dentro de campo, um time que reencontra identidade; fora dele, um clube ainda cercado por tensões e incertezas.

Desde a chegada do técnico português Franclim Carvalho, o Alvinegro engatou uma sequência de seis jogos de invencibilidade. A estreia já deu o tom da mudança: vitória em clássico contra o Vasco da Gama, resultado que serviu como ponto de virada. Na sequência, vieram dois empates e, agora, três triunfos consecutivos — um recorte que, mais do que os números, evidencia uma mudança de postura.

O jogo mais recente, a vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, pelo jogo de ida da fase 5 da Copa do Brasil, teve um peso simbólico importante. Além da vantagem no confronto, marcou o fim de uma sequência incômoda: foram 13 partidas seguidas sofrendo gols, interrompidas justamente nesse duelo. A última vez que o Botafogo havia saído de campo sem ser vazado havia sido ainda no empate sem gols contra o Boa Vista, pela Taça Rio.

Dentro das quatro linhas, a equipe começa a refletir as ideias de Franclim. O modelo se baseia em pressão alta, controle por meio da posse de bola e uso constante da profundidade, principalmente com laterais e alas avançando para abrir o campo. Há um time mais organizado, que sabe o que fazer com e sem a bola — algo que vinha faltando.

BOTAFOGO SOMA SEIS JOGOS SEM PERDER E DA SINAIS DE REORGANIZAÇÃO EM CAMPO
John Textor, dono da SAF do Botafogo.  Foto: Vitor Silva/Botafogo

Individualmente, alguns nomes ajudam a traduzir essa evolução. O volante Danilo tem sido peça-chave no equilíbrio entre defesa, construção e ataque; o reforço Ferraresi sustenta a linha defensiva com mais segurança; e, no ataque, Arthur Cabral vive um bom momento, com três gols nos seis jogos desde a chegada do treinador.

Mas nem tudo é tranquilidade. O bom início de Franclim também cumpre um papel de “cortina de fumaça” para problemas estruturais que seguem ativos. As desavenças com o empresário John Textor continuam sendo tema recorrente, assim como as dificuldades para avançar em renovações com nomes importantes do elenco, como Alex Telles e Alexander Barboza. Soma-se a isso o cenário financeiro delicado, com dívidas expressivas que ainda pressionam o planejamento do clube.

O Botafogo, portanto, vive um momento de contraste: um time em ascensão dentro de campo, com sinais claros de evolução, e um clube que ainda precisa resolver suas próprias turbulências fora dele. A pergunta que fica é até que ponto o desempenho esportivo conseguirá sustentar — ou adiar — a necessidade de respostas mais profundas nos bastidores.

✍🏽| @ribeiiroddede / André Ribeiro
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