Alfredo Di Stéfano: a trajetória de uma das maiores lendas do futebol

Paulo Jorge
Por Paulo Jorge 3 Minutos de Leitura

Não foi apenas Messi que fez sua história aparecer no futebol da Espanha. O maior jogador argentino antes de Maradona escreveu seu nome na história do futebol mundial no maior rival do time de Messi e ajudou a transformar o Real Madrid no maior de todos.

Alfredo Di Stéfano: a trajetória de uma das maiores lendas do futebol

Alfredo Di Stéfano nasceu em 4 de julho de 1926, em Buenos Aires, Argentina, e é considerado um dos maiores jogadores da história do futebol. Dono de uma versatilidade impressionante, atuava como atacante, meia e organizador das jogadas, sendo decisivo por onde passou. Um verdadeiro camisa 10 que, por anos, rivalizou com Pelé pelo posto de maior jogador de todos os tempos.

River Plate (Argentina) – 1945 a 1949

Di Stéfano iniciou sua carreira profissional no River Plate. Estreou em 1945 e fez parte de uma das equipes mais fortes do futebol argentino. Em 1946, foi emprestado ao Huracán para ganhar experiência e retornou ao River em 1947, ano em que conquistou o Campeonato Argentino.

Pelo River Plate, disputou cerca de 75 partidas e marcou 53 gols, conquistando um título argentino.

Huracán (Argentina) – 1946 (empréstimo)

Durante o empréstimo ao Huracán, Di Stéfano ganhou sequência de jogos e mostrou seu talento. Atuou em 25 partidas e marcou 10 gols.

Millonarios (Colômbia) – 1949 a 1953

Em meio à greve de jogadores na Argentina, Di Stéfano transferiu-se para o Millonarios, da Colômbia. Viveu uma fase brilhante e ajudou o clube a dominar o futebol colombiano.

Pelo Millonarios, disputou aproximadamente 111 jogos e marcou 90 gols, conquistando quatro Campeonatos Colombianos (1949, 1951, 1952 e 1953) e a Copa Colômbia de 1953.

Mas alguns pesquisadores não consideram esses números, pois a liga em que ele jogou era considerada pirata.

Na época, o futebol colombiano viveu uma situação excepcional: os clubes do país contrataram grandes jogadores internacionais sem respeitar os contratos com outras equipes e sem a autorização da FIFA. Por isso, esse campeonato ficou conhecido como a “liga pirata colombiana”.

Mesmo diante da polêmica, Di Stéfano brilhou em campo. Com o Millonarios, formou um dos melhores times do mundo na época, conquistando quatro Campeonatos Colombianos (1949, 1951, 1952 e 1953) e a Pequena Taça do Mundo de Clubes de 1953, torneio disputado na Venezuela que reuniu grandes equipes da Europa e da América do Sul.

Foi justamente durante uma excursão do Millonarios à Espanha, em 1952, que Di Stéfano chamou a atenção do Real Madrid. Suas atuações impressionaram tanto que o clube espanhol iniciou uma disputa com o Barcelona por sua contratação. Em 1953, após o fim do período de “El Dorado” e um acordo entre FIFA e Federação Colombiana, o atacante deixou o Millonarios e acertou sua transferência para o Real Madrid.

Ao todo, Di Stéfano disputou cerca de 292 partidas pelo Millonarios e marcou aproximadamente 267 gols, tornando-se um dos maiores ídolos da história do clube.

Real Madrid (Espanha) – 1953 a 1964

Em 1953, Di Stéfano chegou ao Real Madrid, onde construiu sua maior história. Tornou-se o principal jogador da equipe e foi peça fundamental na transformação do clube em uma potência mundial.

Pelo Real Madrid, disputou 396 partidas oficiais e marcou 308 gols. Entre suas principais conquistas estão:

  • 8 Campeonatos Espanhóis;
  • 5 Copas dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões), de 1956 a 1960;
  • 1 Copa Intercontinental (1960);
  • 1 Copa da Espanha.

Foi artilheiro do Campeonato Espanhol em cinco oportunidades e venceu duas vezes a Bola de Ouro, em 1957 e 1959.

Espanyol (Espanha) – 1964 a 1966

Nos últimos anos de sua carreira, atuou pelo Espanyol. Disputou 58 partidas e marcou 13 gols, encerrando sua trajetória como jogador em 1966.

Carreira pelas seleções

Seleção Argentina

Di Stéfano estreou pela Argentina em 1947. Disputou seis partidas, marcou seis gols e conquistou a Copa América de 1947, sendo um dos destaques da campanha.

Seleção da Espanha

Naturalizado espanhol, passou a defender a Espanha a partir de 1957. Pela seleção espanhola, disputou 31 partidas e marcou 23 gols. Apesar do grande desempenho, não conseguiu disputar uma Copa do Mundo, pois a Espanha não se classificou para 1958 e ele se lesionou antes da Copa de 1962.

Números da carreira

Ao longo da carreira profissional, Alfredo Di Stéfano disputou aproximadamente 665 partidas oficiais e marcou cerca de 474 gols, números que o colocam entre os maiores artilheiros do século XX.

Legado

Alfredo Di Stéfano revolucionou o futebol moderno com sua capacidade de atacar, marcar, criar jogadas e liderar a equipe. Sua influência foi decisiva para o nascimento da era vitoriosa do Real Madrid, tornando-se um dos maiores ídolos da história do clube.

Até hoje, seu nome é lembrado entre os maiores jogadores de todos os tempos, e sua trajetória desperta uma curiosidade semelhante à de outros grandes craques que defenderam mais de uma seleção: afinal, Di Stéfano deve ser lembrado como argentino ou espanhol?

A resposta talvez esteja em sua própria carreira: argentino de nascimento, espanhol por adoção e uma lenda universal do futebol.

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Futuro jornalista , professor de história formado pela Unisuam , pesquisador do futebol e do subúrbio Carioca . Torcedor do Gigante da Colina.
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