O Japão foi eliminado nessa segunda feira (29) da Copa do Mundo pela seleção brasileira, mas a história de Suzuki, merece ser lembrada.
Zion Suzuki: o goleiro que representa o novo Japão
A primeira participação do Japão em uma Copa do Mundo aconteceu em 1998, na França. Desde então, a seleção japonesa entrou definitivamente no cenário internacional do futebol, investindo na formação de equipes competitivas e no desenvolvimento de jogadores capazes de atuar nas principais ligas da Europa.
Um dos primeiros grandes ídolos do futebol japonês foi Hidetoshi Nakata, considerado uma lenda do esporte no país. O meia brilhou por clubes italianos como Roma, Parma e Fiorentina, tornando-se um dos pioneiros japoneses a conquistar destaque no futebol europeu.
As Copas do Mundo de 1998 e 2002 foram as primeiras de que me lembro acompanhando praticamente todos os jogos. Naquela época, as características étnicas das seleções eram, de modo geral, mais homogêneas. Eram raros os casos de jogadores com origens diferentes da maioria da população de seus países. Hoje, porém, o futebol reflete um mundo muito mais globalizado.
A seleção da França, por exemplo, é formada por atletas de diversas origens, incluindo muitos afro-franceses e descendentes de imigrantes. A Alemanha, a Suíça, a Inglaterra e várias outras seleções seguem essa mesma realidade. Nesse contexto de globalização e de sociedades cada vez mais multiculturais, surge a história de Zion Suzuki, um jogador que poderia defender até três seleções diferentes.

Zion Suzuki nasceu na cidade de Newark, no estado de Nova Jérsia, nos Estados Unidos. Seu pai é ganês e sua mãe é japonesa. Ainda na infância, sua família decidiu se mudar para o Japão, estabelecendo-se na cidade de Urawa.
Desde pequeno, Zion sonhava em ser jogador de futebol. No Japão, encontrou uma estrutura muito mais desenvolvida para a formação de atletas, ingressando ainda jovem nas categorias de base do tradicional Urawa Red Diamonds.
Com 1,90 metro de altura, o goleiro sempre chamou a atenção pela elasticidade, reflexos e segurança debaixo das traves. Seu desempenho fez com que fosse convocado para praticamente todas as seleções japonesas de base.
Ao chegar ao elenco profissional, precisava provar seu valor. E a oportunidade apareceu em um momento decisivo.
O Urawa Red Diamonds contava com o experiente Shusaku Nishikawa, um dos maiores goleiros da história do clube, com mais de 500 partidas disputadas. No entanto, após uma sequência de atuações abaixo do esperado, o treinador espanhol decidiu apostar no jovem Zion.
Sua estreia como profissional aconteceu aos 18 anos, diante do Vegalta Sendai. Além de realizar importantes defesas, viu sua equipe vencer a partida, dando início a uma trajetória promissora.
As boas atuações lhe garantiram espaço entre os titulares do Urawa Red Diamonds e, posteriormente, da seleção japonesa. Com isso, Zion Suzuki tornou-se o primeiro goleiro negro a assumir a titularidade da seleção principal do Japão, um marco importante para a diversidade no futebol japonês.
Titular na Copa da Ásia e também na Copa do Mundo, Zion confirmou seu enorme potencial. Em 2024, foi contratado pelo Parma, da Itália, onde rapidamente conquistou espaço e passou a atuar como titular, dando continuidade à tradição de goleiros japoneses em ascensão no futebol europeu.
Sua trajetória representa não apenas a evolução técnica do futebol japonês, mas também a transformação da própria sociedade do país. Filho de um ganês com uma japonesa, nascido nos Estados Unidos e criado no Japão, Zion Suzuki simboliza uma nova geração de atletas que refletem um mundo cada vez mais conectado, diverso e multicultural.
