Como um goleiro da segunda divisão saudita foi capaz de parar o ataque uruguaio?

Paulo Jorge
Por Paulo Jorge 2 Minutos de Leitura

O que vimos ontem em Miami Gardens foi uma partida de ampla dominação uruguaia, principalmente no segundo tempo. De um lado, uma Arábia Saudita postada quase de forma perfeita defensivamente; do outro, um goleiro que simplesmente fechou o gol com tudo o que tinha.

O Uruguai finalizou 27 vezes ao longo da partida. Foram nove defesas do goleiro saudita, sendo quatro delas em finalizações dentro da área e todas com elevado grau de dificuldade. A seleção uruguaia possui bons jogadores, embora conte atualmente com apenas um atleta de nível realmente diferenciado, Federico Valverde. Além disso, seu principal craque, Giorgian de Arrascaeta, estava fora por lesão. Ainda assim, o conjunto uruguaio é superior ao saudita. Por isso, a Arábia Saudita encontrou em seu goleiro a figura decisiva para resistir à pressão.

Como um goleiro da segunda divisão saudita foi capaz de parar o ataque uruguaio?

A história desse arqueiro é bastante interessante. Ele é um dos jogadores mais experientes da seleção saudita em Copas do Mundo. Com 62 partidas pela equipe nacional, participou de três ciclos mundialistas.

Sua trajetória começou na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Não atuou na derrota por 5 a 0 para os anfitriões e também não jogou na vitória por 2 a 1 sobre o Egito. Sua estreia aconteceu justamente na segunda rodada, contra o Uruguai, na derrota por 1 a 0.

Sua segunda participação veio em 2022, no Catar, quando foi titular em todos os jogos:

  • Argentina 1 x 2 Arábia Saudita;
  • Polônia 2 x 0 Arábia Saudita;
  • Arábia Saudita 1 x 2 México.

Nascido em 1991, hoje aos 34 anos, o goleiro praticamente “se rebaixou” para disputar mais uma Copa do Mundo.

Ele iniciou a carreira no Al-Shabab, passou pelo Al-Ahli e chegou ao milionário Al-Hilal, onde imaginava que seria titular. Entretanto, com os altos investimentos do clube e a chegada constante de estrelas internacionais, acabou perdendo espaço e tornando-se reserva. Essa condição certamente o afastaria da seleção, da qual é o goleiro titular.

Para não correr esse risco, acertou um empréstimo para o Al-Ula FC, clube da segunda divisão saudita. O objetivo era simples: ganhar minutos em campo, manter o ritmo de jogo e preservar sua posição na seleção nacional.

Uma história magnífica, daquelas que mostram que, muitas vezes, o orgulho precisa dar lugar à estratégia. Ontem, contra o Uruguai, cada quilômetro percorrido longe dos holofotes pareceu valer a pena.

Historiador Paulo Jorge

Seguir:
Futuro jornalista , professor de história formado pela Unisuam , pesquisador do futebol e do subúrbio Carioca . Torcedor do Gigante da Colina.
Faça um comentário

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *