Eu lembro até hoje. Eu tinha 9 anos, estava sentado em frente à televisão. Meu pai comigo, e minha mãe fazendo comida.
Quando vimos o acidente, meu pai falou exatamente o seguinte:
— Morreu!
Mais tarde, lembro da Globo fazendo um plantão ao vivo e Roberto Cabrini dizendo a frase que nunca mais esquecerei:
— Morreu Ayrton Senna do Brasil.
No aniversário de sua morte, o nome de Ayrton Senna volta a ecoar com força entre fãs do automobilismo e admiradores do esporte mundial. Mais do que um piloto, Senna tornou-se símbolo de talento, determinação e intensidade — dentro e fora das pistas.

Nascido em São Paulo, em 1960, Senna iniciou sua trajetória no kart ainda criança, demonstrando desde cedo uma habilidade incomum. Após conquistar títulos no kartismo sul-americano e europeu, avançou para as categorias de base do automobilismo europeu, destacando-se na Fórmula Ford e na Fórmula 3 Britânica, onde conquistou o campeonato em 1983. Seu talento chamou a atenção das equipes de Fórmula 1 e, em 1984, ele estreou na principal categoria do automobilismo mundial pela modesta equipe Toleman.
Logo em sua primeira temporada, Senna impressionou o mundo com uma atuação histórica no chuvoso Grande Prêmio de Mônaco, onde largou em posições inferiores e terminou em segundo lugar, desafiando pilotos mais experientes. A performance foi um prenúncio do que viria a seguir. Em 1985, já pela Lotus, conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP de Portugal, novamente sob chuva — condição em que se tornaria quase imbatível.
Ao longo de sua carreira, Senna acumulou números expressivos: foram 41 vitórias, 65 pole positions (um recorde por anos) e três títulos mundiais, conquistados em 1988, 1990 e 1991. Seu período mais marcante foi na McLaren, equipe pela qual viveu o auge de sua carreira.
Foi também na McLaren que nasceu uma das maiores rivalidades da história do esporte: o confronto direto com Alain Prost. Companheiros de equipe entre 1988 e 1989, Senna e Prost protagonizaram uma disputa intensa, marcada por diferenças de estilo e personalidade. Enquanto Prost era metódico e estratégico, Senna era agressivo, emocional e guiado por uma busca quase espiritual pela perfeição.
A rivalidade atingiu seu ápice em dois momentos emblemáticos no circuito de Suzuka, no Japão. Em 1989, um toque entre os dois decidiu o campeonato a favor de Prost, gerando controvérsias e punições. No ano seguinte, em 1990, Senna protagonizou uma manobra igualmente polêmica na largada, garantindo o título em um episódio que até hoje divide opiniões.
Apesar das tensões, a relação entre os dois evoluiu com o tempo, transformando-se em respeito mútuo — especialmente nos últimos anos de vida de Senna.
Em 1994, já pilotando pela Williams, Senna enfrentava um início de temporada difícil em meio a mudanças técnicas na Fórmula 1. No dia 1º de maio, durante o Grande Prêmio de San Marino, no circuito de Imola, ocorreu o acidente que interrompeu sua trajetória. A morte de Senna chocou o mundo e marcou profundamente o esporte, levando a mudanças significativas na segurança da categoria.
Senna não foi apenas um campeão nas pistas. Fora delas, destacou-se por seu carisma, sua conexão com o povo brasileiro e seu compromisso com causas sociais, que mais tarde dariam origem ao Instituto Ayrton Senna, dedicado à educação.
Hoje, décadas após sua partida, Ayrton Senna permanece vivo na memória coletiva. Seu legado ultrapassa números e estatísticas: está na inspiração que deixou para gerações, na emoção que despertava a cada volta e na forma como transformou o automobilismo em arte.
Neste aniversário de sua morte, a homenagem que fica é simples, mas profunda: Senna não foi apenas um piloto extraordinário — foi um herói que acelerou além do tempo, deixando uma marca eterna no coração do Brasil e do mundo.
