O que essa França tem?

Paulo Jorge
Por Paulo Jorge 2 Minutos de Leitura

Taticamente? Nada!
Inovação? Nada!

Então, o que essa França tem? Parece fácil de responder, mas a resposta pode se tornar complexa. Podemos resumir a situação da atual favorita ao título em cinco tópicos, com os quais talvez o caro leitor concorde.

Trabalho

A França tem, na minha visão, dois craques acima da média: Mbappé e Olise, que podem até jogar juntos no Real Madrid, já que Olise já deu sinais de que seu tempo no Bayern pode estar chegando ao fim.

Atrás deles, há ótimos jogadores que demonstram um futebol de muita intensidade, domínio de bola e um grupo de operários que se sacrificam para que os principais talentos consigam desenvolver seu futebol. Isso leva tempo para ser construído. É um grupo fechado e determinado a conquistar a Copa do Mundo.

Continuidade

Didier Deschamps é o símbolo dessa continuidade. Assumiu a seleção francesa em 2012, e nem todo o ciclo foi vitorioso. Houve eliminações na Eurocopa, uma campanha irregular na Copa de 2014, mas, nas últimas três Copas do Mundo, conquistou um título, um vice-campeonato e uma semifinal, sempre apresentando um futebol intenso e atualizado.

Não há nada de revolucionário em seu trabalho, mas há intensidade e a capacidade de extrair o melhor de cada jogador.

Ele já anunciou que deixará a seleção após esta Copa, mas isso já aconteceu antes. Na Copa passada, disse o mesmo e permaneceu no cargo. Em Copas do Mundo, o treinador soma 20 vitórias em 24 partidas.

Imigração

Um influenciador, que prefiro não citar o nome, afirmou que nenhum jogador da França é francês de verdade e que todos foram “contratados”.

Na realidade, do atual elenco, apenas dois não nasceram em solo francês: Brice Samba, que nasceu na República Democrática do Congo, e Marcus Thuram, que nasceu na Itália, mas é filho do ex-craque Lilian Thuram. Todos os demais nasceram na França e são, em sua maioria, filhos ou descendentes de imigrantes.

Para quem desconhece a história, a França participou do chamado Neocolonialismo, período em que as potências europeias disputaram matérias-primas e mão de obra barata, dominando diversos países africanos.

A França colonizou territórios como Senegal, Togo e Camarões. Muitos dos grandes craques franceses são descendentes desses povos. Zidane, por exemplo, é filho de argelinos. Apesar de não ser africano, Platini era descendente de italianos. Nos dias atuais, a globalização também contribuiu para quebrar muitas barreiras.

Mbappé

Mbappé é um craque do futebol atual. O que quero dizer com isso? Ele não é apenas um jogador que corre — e corre muito. Também possui um excelente nível técnico, mas seu diferencial é ser direto e decisivo. Para ele, não há espaço para firulas. Seu objetivo é o gol, e, nisso, ele é um dos melhores do mundo.

Ele não tem o físico de Cristiano Ronaldo nem o dom de Lionel Messi, mas representa exatamente o tipo de craque que o futebol moderno exige. O futebol de antigamente, baseado em toque de bola e habilidade, vem dando lugar a um jogo mais físico, intenso, resistente e objetivo.

Essa França pode se igualar ao Brasil e à Alemanha, seleções que chegaram a três finais consecutivas de Copa do Mundo. O Brasil venceu duas e perdeu uma. A Alemanha perdeu duas e venceu uma.

E a França? Qual será o desfecho desta geração?

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Futuro jornalista , professor de história formado pela Unisuam , pesquisador do futebol e do subúrbio Carioca . Torcedor do Gigante da Colina.
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