Muitos meninos e meninas sonham com uma vida melhor e veem no futebol a oportunidade de mudar de vida. Um time pequeno e tradicional, a cada ano, faz um esforço enorme para sobreviver em um esporte cada vez mais caro.
Imagine um grupo de jogadores realizando o sonho de dezenas de torcedores de uma pequena cidade: chegar a uma final de campeonato internacional?

O sonho que virou pesadelo foi vivido pela Chapecoense.
A Chapecoense, nos dias atuais, disputa o Campeonato Brasileiro da Série A, vivendo grandes dificuldades financeiras. Em algumas ocasiões, quase foi rebaixada para a Série C, mas sobrevive a cada ano. Esse momento da Chape está diretamente ligado ao acidente que vitimou praticamente todo o seu elenco.
Naquele ano, a Chapecoense começou muito bem, levando para casa o troféu de campeã catarinense. Os comandados de Guto Ferreira levantaram o caneco, e o time já tinha uma base pronta para brilhar na Copa Sul-Americana.
Na Copa do Brasil, eliminou, na primeira fase, o Princesa do Solimões e, depois, o tradicional Paraná. Porém, caiu na terceira fase diante do Atlético-PR, sendo eliminada pelo critério do gol fora de casa.
No Campeonato Brasileiro, acabou perdendo seu treinador na quinta rodada. O ano estava sendo ótimo para uma equipe pequena e parecia mágico. Guto Ferreira deixou a Chapecoense para comandar o Bahia, e, com isso, veio Caio Júnior.
No Campeonato Brasileiro, o time foi muito bem, terminando no meio da tabela, com 52 pontos em 38 jogos: 13 vitórias, 13 empates e 12 derrotas, marcando 49 gols e sofrendo 57.
A permanência na elite estava garantida. Paralelamente, porém, a Copa Sul-Americana seguia, e foi aí que a história da Chapecoense mudaria para sempre.
O primeiro adversário foi o Cuiabá, em um duelo nacional. A Chapecoense passou bem, mesmo com uma derrota fora de casa, e conseguiu uma grande vitória dentro da lendária e mística Arena Condá.
Nas oitavas de final, uma grande pedreira: o gigante Independiente. Depois de dois empates, a Chapecoense conseguiu a classificação nos pênaltis para as quartas de final.
Pela frente, outra pedreira: o Junior Barranquilla. Uma derrota fora de casa obrigou a Chapecoense a vencer na mística Arena Condá. E isso aconteceu: um 3 a 0 de respeito, garantindo a classificação.
Nas semifinais, o adversário era o San Lorenzo, campeão da Libertadores dois anos antes. Uma equipe poderosa que poderia atrapalhar os sonhos da Chape.
Na Argentina, empate. Em casa, novamente empate, em uma partida marcada por milagres nos minutos finais do goleiro Danilo, que garantiu a classificação da equipe para a grande final.
O espírito da Condá estava vivo.
Mas a final não seria na Arena Condá, já que a Conmebol exigia um número mínimo de 40 mil lugares para a decisão. Assim, o segundo e grande jogo estava marcado para o Couto Pereira.
Antes disso, o time viajaria para a Colômbia para enfrentar o atual campeão da Libertadores, o Atlético Nacional. Seria o maior desafio da história da Chapecoense.
Mas esse confronto nunca aconteceria.
Uma negligência da empresa aérea provocou o acidente que vitimou quase todos que estavam no avião. Entre os jogadores, sobreviveram apenas Neto, Jackson Follmann e Alan Ruschel. Também sobreviveram profissionais da imprensa que acompanhavam a delegação, entre eles jornalistas da Fox Sports, da Globo e da Rádio Condá.
Infelizmente, não vimos a Chapecoense disputar aquela final.
Mas, em um gesto único, o Atlético Nacional solicitou à Conmebol que o título fosse entregue à Chapecoense.

A Chapecoense foi declarada campeã da Copa Sul-Americana de 2016.
Não vimos aquele time levantar a taça em campo.
Mas ninguém poderá apagar a história daqueles jogadores, daquele clube e daquela cidade.
- A Chapecoense é eterna.*
