O Clube Atlético Mineiro oficializou sua transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 1º de Novembro de 2023. Em tese, um projeto diferente das outras SAFs: feito por atleticanos, o que aproximaria a torcida, traria identidade e maior conexão com o clube.
No início, falava-se em um Atlético protagonista, com elenco forte, grandes investimentos (“4 Hulks”), pagamento de dívidas e transparência com a torcida.
Na prática, porém, o cenário desde 2023 é de preocupação.
O Atlético vive um aumento de dívidas, trocas constantes de treinadores, exposição dos donos e acionistas no cenário nacional e internacional, distanciamento entre clube e torcida, ausência de posicionamentos por parte dos principais acionistas, enquanto parte da imprensa e da própria torcida organizada não exerce, de forma consistente, a cobrança pública sobre a gestão.
Apesar dos vices na Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana em 2024 e 2025, os anos não foram positivos.
O Atlético vive um período de instabilidade, com jogadores relatando atrasos salariais e dirigentes de outros clubes expondo a falta de compromisso do clube no pagamento de contratações.
A categoria feminina foi rebaixada em 2024, a categoria sub-20 sofreu rebaixamento no ano seguinte, e as temporadas terminaram com o elenco principal lutando contra a queda, novamente acompanhada de promessas de um “2026 diferente”.
A Arena MRV, que deveria ser um espaço de aproximação e sinergia entre clube e torcida, se tornou um ambiente apático e frio.
Além disso, há relatos de episódios de agressões envolvendo seguranças e torcedores, incluindo situações de impedimento a manifestações e protestos direcionados ao elenco e à gestão.
Nesse cenário, um dos poucos pontos de identificação dentro do elenco caminha para um desfecho melancólico, que simboliza essa gestão: Hulk, considerado por muitos o maior ídolo recente do Atlético, está próximo de deixar o clube. Mesmo sem viver sua melhor condição física, em parte pela idade, sua possível saída, pelas portas dos fundos e para um clube brasileiro, reforça a percepção de uma gestão desqualificada, trivial e inapta.
Em meio a crises, rebaixamentos e reestruturações, a torcida do Atlético historicamente manteve sua presença e foi reconhecida entre as mais apaixonadas do país.
Ainda assim, o cenário atual levanta uma dúvida incômoda: o que ainda pode ser perdido, quando o atleticano já teve arrancada a sua alma?
