O futebol brasileiro sofreu a sua maior derrota na história do Mundial de Clubes. A discrepância histórica que há entre o nosso futebol hoje e o Santos de Pelé, o Flamengo de Zico e o São Paulo de Telê, que desfilavam entre os europeus, é sentida da pior forma possível, ano após ano. O que aconteceu com o Botafogo foi apenas mais um sintoma da doença que já fere o brasileiro há muito tempo.
O “futebol bonito” praticado por nossos grandes clubes já se tornou obsoleto diante do cenário internacional. O que fazer afinal? Se nossos grandes jogadores estão todos na Europa, onde o dinheiro circula. Nossos times são tão reféns da economia estrangeira quanto nosso próprio país. A relação de subserviência imposta pela Divisão Internacional do Trabalho (DIT) aos países emergentes funciona também para o futebol. Exportamos nossa matéria-prima, leia-se nossas promessas, e não fortalecemos a nossa indústria de base, leia-se futebol brasileiro.
Não há planejamento esportivo para o nosso crescimento. Nossos jovens são vendidos ao estrangeiro antes mesmo de serem lapidados no profissional, a formação de nossos talentos é terceirizada, isso quando há formação, já que o cenário europeu costuma enterrar vários de nossos talentos que não se adequam à cultura, clima e tradição desses países. Obviamente tudo isso acaba impactando não só no cenário de clubes, mas também da seleção brasileira. Craques não identificados com o próprio país de origem, com a cultura do futebol daqui, distanciamento da torcida, dentre outros.
A Lei de Bosman (1995) que mudou para sempre o futebol mundial e favoreceu as grandes potências, além de dar mais liberdade aos jogadores, já faz quase 30 anos. Desde então, a América do Sul vem perdendo gradualmente o seu protagonismo no cenário internacional. Grandes craques geram atenção, atenção gera dinheiro e dinheiro atrai mais grandes craques, mas o que fazer se já não temos nossos grandes craques? O continente que mais recheou o mundo de grandes talentos já não é nem sequer a segunda prateleira do futebol mundial.
Foram 20 anos entre os últimos títulos de Copa do Mundo da América do Sul, o maior período de jejum já visto. Qual a alternativa? Esperar o próximo Messi aparecer?
