Nascido na França, lapidado em Senegal e amadurecido na Inglaterra, esse é Iliman Ndiaye. O atual camisa 10 do Everton e destaque da seleção Senegalesa nos esconde uma história incrível: Como um jogador de 20 milhões de euros estava escondido na sétima divisão inglesa, uma liga semi-profissional formada por jovens estudantes.

Essa ascensão meteórica a começa muito tempo atrás, ainda na França. O jovem Ndiaye, menino da periferia de Rouen, encantava nos campeonatos juvenis da região até que certa vez foi observado por olheiros de um gigante do país, o Olympique de Marselha, onde foi convidado a fazer testes no clube. O resultado? Contratado. Foram quase 4 anos nas categorias de base do maior clube do país empilhando para os “Olympiens”. No ano de 2014, Ndiaye e sua família voltam para Senegal atrás de melhores condições de vida, já que na França seus pais pulavam de trabalho em trabalho sem tantas perspectivas.
Em Senegal Ndiaye não podia ficar sem futebol, logo depois da mudança seu pai conseguiu alguns testes no AS Dakar Sacre-Coeuer, equipe da elite senegalesa que possuiu parceria com o Lyon. Na capital senegalesa Iliman Ndiaye ficou mais dois anos, onde se transformou como atleta e mudou para sempre seu estilo de jogo. Treinando em campos de areia e imerso no futebol arte das ruas de Dakar, Ndiaye virou um verdadeiro showman na academia do AS Dakar. Seu futebol irreverente e ousado chamava muita atenção em Senegal onde chegou a ser cogitado no time principal mesmo tento apenas 15 anos.
Quando tudo estava dando certo, outra mudança, dessa vez seu destino era a Inglaterra, aos 16 anos Ndiaye chega na capital do Reino Unido com sua família. Em Londres, tudo volta à estaca zero e novamente os testes acontecem. Manchester United e Chelsea, uma semana em cada um, nada de contrato. No modesto Reading? Nada de contrato. Em meses Ndiaye saiu da elite do futebol senegalês para jogar no time de jovens do bairro, o Boreham Wood, do norte de Londres. Dos 16 até os 19, Ndiaye estudava, trabalhava e aos finais de semana jogava na “Sunday League Football”, uma liga de caráter amador que acontecia no norte de Londres. Em 2019 Ndiaye saiu do Boreham para jogar uma competição Sub-19 pelo Rissing Stars, onde destruiu. Ali os olheiros do Sheffield United se encantaram por Iliman Ndiaye e convenceram toda diretoria de base do clube a trazer o francês para Sheffield. Só tinha um problema, para sair do Rissing Stars, o Sheffield United teria que pagar uma quantia para o Olympique de Marsellie, clube que em tese formou o Ndiaye. Travis Binnion, olheiro e chefe da base do Sheffield, foi quem convenceu a diretoria a pagar essa multa para que Ndiaye pudesse jogar pelos “Blades”.
Para pegar ritmo e forma, o Sheffield emprestou Iliman Ndiaye para o modesto Hyde United, Northern Premier League, a famigerada sétima divisão ingelsa. O único desafio do jovem francês era viajar duas vezes na semana para ir aos treinos, de Sheffield, onde morava no alojamento do clube, para Hyde, eram mais de 4 horas de viajem. Nesse tempo, seu técnico não entendia o que aquele francês fazia ali, muito menos como foi parar em seu time. “Chegou ao ponto em que dissemos: ‘Onde quer que você esteja no campo, dê a bola a ele (Ndiaye). Não importa o quão fortemente marcado ele esteja, dê a bola a ele”, diz David McGurk, ex-técnico de Ndiaye no Hyde United. Foram apenas três meses em Hyde, onde voltou ao Sheffield para jogar no Sub-23.
Na Professional Development League, a segunda divisão de aspirantes, Iliman Ndiaye arrebentou novamente, foi um ano atuando pela equipe B do Sheffield onde manteve uma média incrível de quase duas participações em gols por jogo. Todo esse destaque rendeu a Ndiaye sua maior chance da vida, estrear profissionalmente pelo Sheffield United na Premier League. Em 2021, diante do Leicester, Ndiaye estreou como jogador profissional aos 21 anos de idade, depois de vários “quases” o sonho foi realizado, o resultado pouco importou aquele dia, nem mesmo a derrota por 5×0 apagou a felicidade de Iliman Ndiaye.
1 ano e 9 meses depois de sua estreia como profissional, Iliman Ndiaye entrava em campo pela seleção senegalesa para a segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo contra a seleção da casa, o Catar. Saindo do banco, Ndiaye entrou no jogo aos 74 minutos na vaga de Ismalia Saar e 10 minutos depois participou do terceiro gol e último gol de Senegal, onde deu a assistência para Ahmadou Bamba Dieng marcar.
Após a Copa do Mundo e uma temporada espetacular pelo Sheffield United na Championship, Iliman Ndiaye voltaria para onde tudo começou. Depois de 52 jogos 15 gols e 12 assistências na temporada de 22/23, o Olympique de Marselha vence a corrida e paga 17 milhões pela contratação de Ndiaye. 8 anos depois Iliman Ndiaye voltava para Marsellie e dessa vez para ser a estrela.
Pelo OM foram apenas 46 jogos, 4 gols e 3 assistências e um desempenho razoável, até abaixo do que esperava para toda temporada. Mesmo assim, o tradicional Everton da Inglaterra contrata Iliman Ndiaye para ser seu camisa 10 e principal jogador. Nessa temporada já são 22 gols e 5 gols, além de decidir alguns jogos e marcar contra o todo poderoso Manchester City.
Para quem estreou profissionalmente aos 21 anos, nada mal já ter jogado Copa do Mundo, Champions League, Premier League e Ligue One. São mais de 150 jogos, com 31 gols e 19 assistências na carreira para o franco-senegalês. Você venceu a vida, Iliman Ndiaye.