A Holanda dos anos 1980

A Holanda é uma das seleções mais tradicionais e fortes do futebol mundial. São muitos os esquadrões lendários e inesquecíveis na história, da Laranja Mecânica de Cruyff até a equipe de Robben, Sneijder e Van persie.

Jeferson Wollace
Por Jeferson Wollace 4 Minutos de Leitura

A Holanda é uma das seleções mais tradicionais e fortes do futebol mundial. São muitos os esquadrões lendários e inesquecíveis na história, da Laranja Mecânica de Cruyff até a equipe de Robben, Sneijder e Van persie.

Todas elas encantaram os amantes do esporte bretão com um futebol vistoso e bem jogado. Porém, na hora da consagração — ser campeão e levantar taças — , as duas têm algo em comum, bateram na trave.

O Noite de Copa e sua equipe de redação apresentam mais um episódio de ESQUADRÕES IMORTAIS, dessa vez vamos falar da Holanda dos anos 1980, o esquadrão de Marco van Basten, Ronald Coeman e Frank Rijkaard.

A Holanda dos anos 1980

É indiscutível o legado que a Holanda dos anos 1970 deixou para o futebol.

O jogo envolvente de toque de bola, a movimentação dos jogadores que não possuíam posição fixa no gramado, mas que no fim, não conseguiu ser campeã, amargurando derrotas em duas finais consecutivas de Copa do Mundo — 1974 / 78. Já a de Robben e companhia, perdeu para a Espanha, na decisão de 2010 na África do Sul e caiu nas semifinais de 2014 nos pênaltis contra a Argentina de Messi. Coube a outro esquadrão holandês quebrar esse estigma de time que “joga bonito, mas perde”, de seleção do “quase”.

A Holanda dos anos 1980

Após o Mundial de 1978, a Holanda não conseguiu a classificação para a Copa 82 e nem de 86, quando perdeu a vaga na repescagem para a Bélgica por conta de um gol marcado fora de casa pelos belgas. Ainda ficou de fora também da Euro de 84, pois na qualificação para a competição, ficou empatada com a Espanha em pontos, mas foi eliminada nos critérios de desempate pelo número de gols marcados.

O time que revolucionou o futebol na década passada já não existia mais. A situação dos holandeses era bastante complicada, então houve um movimento de reflexão no pensamento futebolístico do país. A decisão foi trazer de volta para o jogo o técnico do Carrossel Holandês, Rinus Michels, comandante da brilhante seleção de 74. Se o time de 1988 não era revolucionário como o de outrora, ainda assim, Michels pôde contar com craques indiscutíveis como a dupla de zaga formada por Ronald Koeman e Frank Rijkaard.

A Holanda dos anos 1980

No ataque, o polivalente, habilidoso, melhor jogador do mundo de 87 e capitão da equipe, o lendário Ruud Gullit e, jogando ao seu lado, “somente” um dos mais letais atacantes da história, Marco Van Basten. Além de outros bons jogadores compondo o time como o goleiro Van Breukelen, os laterais Berry van Aerle e Adri van Tiggelen, os meias Jan Wouters, Arnold Mühren Gerald, Vanenburg e o atacante Erwin Koeman. Uma curiosidade é que logo quando assumiu a seleção, Michels não via com bons olhos Van basten, achava que o atacante agia com muito preciosismo na hora de marcar os gols e pouco adepto a ajudar o time na marcação.

A Holanda dos anos 1980

Sendo um dos pensadores do Futebol Total, Michels exigia comprometimento de todo o time no jogo coletivo. Por isso, nas eliminatórias para a Euro de 88, optou por usar ao lado de Gullit outro jogador, John Bosman. Mas isso mudou na Eurocopa, para a felicidade dos holandeses. Marco mostrou porque ele é um dos maiores jogadores de todos os tempos.

A Holanda dos anos 1980

A competição foi realizada com dois grupos. A Laranja caiu num grupo que contava com URSS, Inglaterra e Irlanda. O primeiro jogo foi contra a União Soviética, que tinha em seu elenco o ótimo goleiro Dasayev. Sem conseguir furar o bloqueio adversário, o time de Gullit e Marco foi derrotado por 1 a 0. A segunda rodada botou o time frente a Inglaterra, ocasião em que Marco Van Basten “gastou” todo seu futebol, anotou três gols na partida que deu a vitória holandesa por 3 a 1 contra os ingleses.

Na última rodada, venceu a Irlanda pelo placar mínimo de 1 a 0, o suficiente para garantir a classificação para as semis. Rinus Michels encararia um adversário conhecido, no mesmo território que o enfrentara antes. Holanda e Alemanha reprisaram ali o encontro da final da Copa do Mundo de 74, que estava guardado na memória do técnico da Laranja. Era a chance da vingança. Um jogo extremamente pegado, duro, mas isso não significa que foi um jogo ruim, pelo contrário, foi emocionante.

A Holanda dos anos 1980

Houve dois pênaltis no jogo, um para cada lado, os dois no segundo tempo e ambos convertidos. O primeiro para os alemães, anotado por Matthäus, no lado direito do gol, o goleiro Hans Van Breukelen ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir o tento. Atrás no placar e com o tempo sendo seu inimigo, a Holanda foi para cima e aos 34 minutos da etapa final conseguiu um pênalti. O empate viria pelos pés do zagueiro artilheiro Ronald Koeman, num chute ao lado esquerdo do gol, que deslocou o goleiro alemão. Euforia na arquibancada da torcida holandesa. Cada vez mais próximo ao final do jogo, o empate persistiu até que a dois minutos do fim do tempo regulamentar brilhou a estrela do camisa 12 holandês. Marco Van Basten fez o segundo gol, desempatou o placar, vingou a derrota de 74 e colocou a Holanda na final da Euro.

A festa dentro de campo era grande, a felicidade no gramado contagiou as arquibancadas do lado holandês. Em comemoração, Ronald Koeman provocou de forma inusitada numa cena que está marcada na rivalidade Alemanha x Holanda. Depois de trocar a camisa com meia Olaf Thon, o zagueiro passou a camiseta do adversário em suas partes íntimas provocando a torcida rival na casa deles. A final reservou um confronto já visto na primeira fase: URSS X Holanda, agora valendo o título. Os soviéticos derrubaram os italianos para chegar à final.

A Holanda dos anos 1980

Era mais uma revanche para a Holanda, que sem dificuldades ganhou por 2 a 0 e sagrou-se campeã na terra onde havia perdido um Copa do Mundo, 14 anos antes. O segundo gol está marcado como um dos gols mais bonitos de todos os tempos e não poderia ter sido feito por outro jogador além de Van Basten, simplesmente antológico. Impossível descrevê-lo.

Marco Van Basten acabou como artilheiro da competição com cinco gols marcados. A URSS ainda teve um pênalti a favor, mas a cobrança foi defendida por Van Breukelen, que já havia pego um pênalti em finais daquele ano, na decisão Copa dos Campeões de 87/88, quando seu time PSV foi campeão. Assim, na Alemanha, com direito a vingança contra os donos da casa, a Holanda conquistou seu primeiro e, até o momento, único título internacional, quebrou a maldição de títulos para se tornar campeã europeia ao vencer bons adversários e contrariou os céticos que diziam que é impossível ser campeão jogando bonito.

A Holanda dos anos 1980

Texto escrito e produzido por @jfsnwllc

Formado em História pela Faculdade Anhenguera, sou apaixonado por futebol, São Paulino, torcedor do Real Madrid da Espanha e estudioso do futebol alemão, acompanhando a seleção desde 2006. Também me aventuro no mundo da literatura já tendo escrito dois livros, acredito que todos tenham um dom, o meu é escrever e criar histórias.
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