A Copa do Nordeste é um verdadeiro fenômeno de público. A relação do povo nordestino com o futebol é única, e as torcidas fazem dos estádios verdadeiros caldeirões, com músicas, festa e um fanatismo saudável. Os números comprovam esse sucesso: em 2024, 683 mil torcedores compareceram aos estádios ao longo dos 71 jogos do torneio, um crescimento de 33% em relação a 2023, quando 514 mil pessoas assistiram às partidas in loco.
O torneio não cresce apenas em público, mas também em premiação e audiência televisiva. Em 2024, a ESPN registrou um aumento de até 99% na audiência em determinados jogos, com média superior a 50% de crescimento no torneio – um avanço de 29% em relação a 2023, segundo dados da própria emissora.
Na TV aberta, o SBT, que transmitiu a competição em 2023, teve um impacto gigantesco na audiência. Segundo dados do Kantar Ibope, a emissora atingiu uma média de 25,8 pontos, com picos de 30 pontos, números impressionantes que chegaram a incomodar a líder Globo e colocaram o triplo da audiência da terceira colocada.
Em contrapartida, o Campeonato Carioca enfrenta uma realidade bem diferente. A saída da transmissão da Globo para a Record resultou em uma queda brusca na audiência, registrando apenas 8 pontos de média. Além da diferença na qualidade de produção entre as emissoras, há também um claro desinteresse do público pelos campeonatos estaduais, que já não mobilizam as torcidas como antes.
Isso passa muito pela FERJ. O Campeonato Paulista é muito bacana de assistir, pois as equipes menores, do interior, em boa parte, têm um investimento sólido, apoio da Federação e disputam campeonatos nacionais. O torneio premia quem joga, e a propaganda do Paulistão, feita pela Federação, atrai audiência não só do Estado de São Paulo, mas de outras regiões do Brasil.
Já no Carioca, acontece tudo ao contrário.
Como acompanho todas as cinco divisões do Rio há pelo menos quatro anos, pude constatar a total falta de crescimento que a FERJ apresenta. Eles tentam vender um produto fadado a ficar nas prateleiras, tomando poeira. De que adianta organizar cinco divisões, arrecadar rios de dinheiro dos clubes e patrocinadores e não reverter esses recursos para quem realmente precisa: os clubes?
Muitos clubes tradicionais cariocas, que já tiveram enorme relevância nacional e sempre foram mais importantes do que algumas equipes paulistas, estão morrendo. A FERJ simplesmente assiste, de camarote, à morte desses clubes e só se preocupa com suas taxas.
Então, por que não acabar com o Campeonato Carioca e voltar com o Torneio Rio-São Paulo? Se for pensar apenas na arrecadação, seria muito melhor financeiramente para os clubes. Juntar os quatro grandes do Rio + os quatro grandes de São Paulo em um torneio de início de temporada traria muito mais atratividade financeira do que jogar contra Maricá, Velo Clube ou Noroeste, por exemplo.
O estadual continuaria, mas sem os grandes clubes, ou poderia se criar divisões nacionais para acomodar essas equipes. Divisões nacionais regionalizadas, com uma etapa final nacional, determinariam os acessos e os descensos.
Enquanto isso, assim como a Copa do Nordeste, o Torneio Rio-São Paulo se fortaleceria, geraria mais receita e permitiria que os novos elencos fossem testados contra adversários mais competitivos. Eu até pensei em um Torneio Rio-São Paulo com duas divisões, com acesso e descenso. Seis clubes do Rio + seis de São Paulo, divididos em dois grupos, onde o último de cada grupo cairia para a segunda divisão.
Na segunda divisão do torneio, o mesmo esquema seria aplicado, mas os dois últimos de cada grupo dariam lugar aos campeões estaduais. Uma solução para todos os lados.
Mas sabe por que isso jamais dará certo? Porque as federações só pensam em seu próprio bem-estar financeiro. Não pensam no desenvolvimento do futebol nacional e muito menos em salvar equipes tradicionais. Afinal, por que manter diversos clubes em atividade, gerando empregos diretos e indiretos, se isso significaria deixar de ganhar seus rios de dinheiro?
Não vale a pena sacrificar alguns milhares de reais para salvar clubes como Bangu, Bonsucesso e Olaria. O futebol é feito apenas para os gigantes e para o lado financeiro, sem nenhuma importância social.
