O USO DE LEQUE NOS ESTÁDIOS

Noite de Copa
Por Noite de Copa 1 Minutos de Leitura

Nesta semana, um debate ganhou força nas redes sociais sobre os estádios do Rio de Janeiro: o uso de leques nas arquibancadas. A prática passou a ser criticada por parte dos torcedores. Mas por quê?

O leque, relacionado ao calor, ganhou novos significados recentemente. Popularizado recentemente, o ato de “bater leque” cresceu em shows, especialmente entre mulheres e pessoas da comunidade LGBTQ+, se tornando uma forma de expressão cultural.

No entanto, nos estádios, o ato tem tido outra repercussão. O leque enfrenta recusa, principalmente entre homens, mostrando a dificuldade de aceitação de movimentos ligados a esses grupos no futebol.
A presença feminina nas arquibancadas, mesmo crescendo, ainda enfrenta barreiras. Mulheres seguem se adaptando a costumes masculinos e, em alguns casos, até mesmo a exclusão.

Há relatos, por exemplo, na torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians, sobre restrições à participação feminina em tocar instrumentos.

O USO DE LEQUE NOS ESTÁDIOS
Reprodução Twitter/X – Foto: @fogazelas

Além disso, a insegurança ainda é um problema recorrente. Muitas torcedoras relatam dificuldades em frequentar estádios sozinhas, diante de um ambiente ainda tradicional e masculino, mesmo que nem todos os homens se configurem como ameaça.

Nesse contexto, surgem movimentos como o “TricoFlores”, da torcida do Fluminense. Organizado por mulheres, o grupo reforça uma ideia simples: as mulheres vieram para ficar. Um grupo que não só reúne mulheres, mas relembram que não só podem, como devem ocupar esses espaços.

É importante lembrar que esses movimentos não buscam excluir tradições, mas ampliar a forma de torcer, criando novos costumes que incluam mais pessoas.

Por isso, a discussão sobre o leque vai além do objeto. Muitas críticas se apoiam na ideia de tradição, na defesa de “essência” da arquibancada. Mas cabe a pergunta: Essa suposta essência deve mesmo permanecer?

Algumas práticas já são historicamente aceitas no futebol e estão intimamente ligadas à homofobia, misoginia e episódios de violência. Mesmo assim, raramente geram o mesmo questionamento.

Enquanto isso, manifestações associadas a mulheres e à comunidade LGBTQ+ seguem sendo mais criticadas, enquanto problemas históricos das arquibancadas são tratados com normalidade.

Talvez, então, a questão não seja o leque, mas sim o que ele representa.

Escrito por: Laura Melikian | @llauramelc

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