Longe dos holofotes midiáticos, um caso chamou a atenção do Daily Monitor, um dos principais jornais de Uganda. Para a Copa Africana de Nações, generosos bônus prometidos pelo governo aos jogadores da seleção, em meio à crise financeira do país, abriram fortes debates sobre privilégios internos.
⏩ CONTEXTO:
Yoweri Museveni, presidente de Uganda desde 1986 (!!!), está em ano eleitoral e para se popularizar, prometeu 1.2 bilhão de xelings (340 mil dólares ou R$1.838 milhão) para cada vitória da seleção. A NSS Sports diz que Hamis “Ham” Kiggundu, um empresário local, deve injetar 20 milhões em premiações, além da presidente do Parlamento de Uganda, Anita Among, outro aporte de 70 milhões de xelings.
⏩ PROTESTOS:
Em Kampala, protestos contra esses bônus aos jogadores. Motivados pela 1ª vitória na história da competição na Copa de 2024, Uganda esboça ser uma surpresa. Os ugandeses dizem que esses prêmios são propaganda política para o atual governo seguir no controle do país.
O deputado Ibrahim Ssemujju viralizou ao postar no X em tom de ironia, após a derrota de Uganda para Argélia (0-3): “Obrigado, Argélia: este dinheiro agora pode ser usado para iniciar a construção de uma barragem em Karamoja, para trazer água potável para a região e para outras causas mais urgentes”.
⏩ COINCIDÊNCIA?
A NSS Sports trouxe informações que outras seleções africanas também apostaram em prêmios exorbitantes. Quênia, por exemplo, deve injetar 8 mil dólares por vitória e metade por empates. Após vencer Marrocos, William Ruto, presidente do Quênia dobrou a aposta e prometeu 2,5 milhões de xelings (R$104 mil ou 19 mil dólares).
Tanzânia, Costa do Marfim e Marrocos também tiveram premiações relevantes. Importante citar que a Copa Africana de Nações teve sua última edição a mais rica da história: 3,5 milhões de dólares ao campeão e +10M ao longo do torneio.
📝 @gabdeolv