A semifinal da Copa do Mundo de 2026 irá reunir duas seleções que têm um histórico complicado de relações políticas.
A rivalidade não é apenas por causa do gol de Maradona, em 1986, e que se acentuou em 1998, quando, mais uma vez, a Argentina eliminou a Inglaterra nos pênaltis. O histórico da relação entre os países “azedou” devido à Guerra das Malvinas.

A Guerra das Malvinas
A história do conflito começa muito antes dos anos 80.
1833: O Reino Unido assumiu o controle das ilhas, expulsando as autoridades argentinas. Desde então, a Argentina reivindica a soberania do arquipélago, mas o governo argentino cansou de reivindicar na diplomacia.
A ONU (Organização das Nações Unidas) até tentou, nas décadas de 1960 e 1970, incentivar negociações entre os dois países, mas não houve acordo.
A Guerra das Malvinas foi um conflito armado entre a Argentina e o Reino Unido, ocorrido entre abril e junho de 1982, pela posse das Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland Islands pelos britânicos), localizadas no Atlântico Sul.
Em 2 de abril de 1982, a Argentina, governada por uma ditadura militar, invadiu as Ilhas Malvinas, alegando que elas faziam parte de seu território.
O Reino Unido, liderado pela primeira-ministra Margaret Thatcher (a “Dama de Ferro”), enviou uma força militar para retomar as ilhas.
Os combates ocorreram no mar, no ar e em terra, envolvendo navios, aviões e tropas de ambos os países.
Após cerca de dez semanas de guerra, as forças argentinas se renderam em 14 de junho de 1982, e o controle britânico sobre as ilhas foi restabelecido.
Morreram aproximadamente 649 argentinos, 255 britânicos e 3 habitantes das ilhas.
A derrota enfraqueceu a ditadura argentina, contribuindo para a redemocratização do país em 1983. Mas o povo argentino não sentiu pelo enfraquecimento da ditadura, e sim pela morte dos conterrâneos. Cada morte de um hermano significou uma dor incurável.
No Reino Unido, a vitória fortaleceu o governo de Margaret Thatcher, mas a ilha nunca foi, de verdade, dos ingleses, já que diversas reportagens mostram que a ilha é dividida entre quem se sente inglês e os que desejam voltar para o lado argentino da história.
Até hoje, a soberania das Malvinas continua sendo motivo de disputa diplomática entre Argentina e Reino Unido.
A Guerra das Malvinas é considerada um dos principais conflitos da América do Sul no século XX e um exemplo de disputa territorial que teve grandes impactos políticos para os dois países envolvidos.
A rivalidade chegou aos gramados
E esse conflito já passou para os campos. São jogos sempre tensos e com registros de brigas entre torcedores. Ontem e hoje já temos presenciado tensão entre as torcidas e pode ter certeza de que, historicamente, as tensões estarão longe de acabar.

Confrontos em Copa do Mundo
1966 – Copa do Mundo (quartas de final): A Inglaterra venceu por 1 a 0. O capitão argentino Antonio Rattín foi expulso em uma decisão muito contestada, aumentando a rivalidade entre os países.
1986 – Copa do Mundo (quartas de final): A Argentina venceu por 2 a 1. Diego Maradona marcou dois dos gols mais famosos da história: o da “Mão de Deus”, em que usou a mão para marcar, e o “Gol do Século”, quando driblou vários adversários antes de balançar as redes. O jogo ocorreu quatro anos após a Guerra das Malvinas e teve forte simbolismo.
1998 – Copa do Mundo (oitavas de final): Empate por 2 a 2. A Argentina venceu nos pênaltis por 4 a 3. A partida ficou marcada pela expulsão de David Beckham após um lance com Diego Simeone.

2002 – Copa do Mundo (fase de grupos): A Inglaterra venceu por 1 a 0, com um gol de pênalti de David Beckham, resultado visto como uma “revanche” esportiva por muitos torcedores ingleses.
Foram, no total, 14 encontros entre as seleções, com 6 vitórias inglesas, 6 empates e 2 vitórias da Argentina. Curiosamente, as duas vitórias argentinas aconteceram em Copas do Mundo.
Muito mais do que futebol
No futebol, Argentina e Inglaterra disputam muito mais do que uma vaga em uma final de Copa do Mundo. Cada encontro carrega o peso da história, das feridas deixadas pela Guerra das Malvinas e de décadas de uma rivalidade construída dentro e fora dos gramados. Independentemente do resultado da semifinal de 2026, o duelo reforça que, quando essas duas seleções se enfrentam, o passado sempre entra em campo junto com os jogadores.
